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21-F, Dia da Galiza Negra
Subcomediante H , 14.02.2005, (Id: 1779)
O próximo 21 de Fevereiro completam-se 40 anos da morte de Malcolm X, negro coma ti. Viva o orgulho afro-galego!

(Foto: Sub. Z)
(Foto: Sub. Z)

Malcolm X é o melhor exemplo de um sentimento ainda vivo nos EUA: o nacionalismo negro e o orgulho de ser afro-americano. O 21 de Fevereiro de 1965 morreu assassinado durante um comício celebrado num salom de baile de Harlem (New York). Nom o matou o homem branco. Foram alguns dos seus irmaos pretos que nom entenderam, nom, o sentido da sua luita. Órfao de pai por causa das acções assassinas do Ku Klux Klan, Malcolm foi enviado com uma família adoptiva e mais tarde a um reformatório. Envolvido en diversas actividade criminosas, em 1946 foi condenado por roubo e recluso num cárcere. Lá começou a interessar-se pola doutrina de Elijah Muhammad, líder dos muslimes (muçulmanos negros). Malcolm dedicou o seu tempo na prisom a estudar. Quando foi libertado, em 1952, começou a sua luita em prol de uma república negra independente nos EUA, agora sob o nome de Malcolm X, substituindo simbolicamente o seu apelido, derivado da herança da escravatura, por um X que representava o nome desconhecido dos seus ancestrais africanos. As suas diferenças com o Elijah Muhammad obrigam-no a sair da organizaçom e fundar uma nova, agora de carácter laico, a Organizaçom da Unidade Afro-Americana. As más relações com o establishment converteram-no em alvo das balas. Começou a ser molesto para os seus supostos irmaos e isso custou-lhe a vida.

O nacionalismo galego sempre simpatizou com a causa dos negros. Negros e galegos, chegados à América em idénticos “negreiros vapores”, unidos pola sua condiçom de expatriados, mao de obra barata (ou gratuita) ao serviço de interesses alheios, igualados pola mesma escravatura:

«Castelhanos de Castilha, / Tratade bem os galegos: / Quando vam, vam como rosas; / Quando vem, vem como negros».

Escrevia indignada Rosalia de Castro em 1863, um século antes de que Bob Dylan descrevesse o sentimento de todos os desterrados:

«How does it feel like a complete unknown, like a rolling stone»

Negras e galegos, galegos e negras, memórias de um negro galego que deambula pola avenida Arcádio Pardinhas de Burela como um Panchito pós-moderno. É curioso que os nossos primeiros nacionalistas, os das Irmandades da Fala, apelassem ao vínculo fraterno: «Vede, irmaos galegos, o nosso programa», dizia o Manifesto da Assembleia Nacionalista de Lugo de 1918. Talmente como o movimento negro, que popularizou os termos «brother» e «sister» como apelativo universal entre negros e negras nos EUA.

Um dos participantes naquela Assembleia luguesa foi o humorista anti-colonial Afonso Daniel Rodríguez Castelao (aka «irmao Daniel»), inspirador da nossa organizaçom e grande amigo da naçom negra. Som conhecidas as suas Estampas de Negros, realizadas no exílio de New York e que foram publicadas, entre outros desenhos anti-fascistas, no semanário de esquerda Daily Worker. A impresionante actividade propagandística de Castelao nos EUA incluiu uma entrevista em Hollywood com a actriz Joan Crawford (dirigente da ajuda à República espanhola) ou um incrível encontro com trabalhadores galegos nas galerias das minas da Louisiana. Mas o que mais orgulho nos produz é que antes do final da guerra civil, o nosso heroi foi nomeado presidente honorífico da Federaçom Internacional de Sociedades Negras de New York. Para além de «irmao Daniel», Castelao era um brother, um man in black. Negro como um chamiço.

«Galiza somos nós, a gente e mais a fala: se buscas a Galiza, em ti tens que atopá-la», explicava o poeta Manuel Maria. Os galegos somos de todas as cores, formas e sabores possíveis. Galegos como o gaiteiro Abdul Solveira do programa Sítio distinto, que Antón Reixa dirigiu na TVG a princípios da década de 90. Ou como Antonio Machín, cantor de boleros, nascido em Cuba filho de uma negra e um galego: «No hay una iglesia de rumbo, / no hay una iglesia de pueblo, / donde hayan dejado entrar / al cuadro angelitos negros».

Negros e negras que falam galego cerrado em Lisboa, na Bahia ou em Maputo. Tam longe e tam pretos! Afro-galegos como o Doutor Karamba, catedrático de Parapsicologia da Universidade de Maputo e assessor científico da VA-CA. Galegas que estamos negras após o desastre do Prestige, que tingiu para sempre de negro a nossa bandeira. Todas e todos estamos chamados a celebrar este 21 de Fevereiro o Dia da Galiza Negra. Justo ao dia seguinte do referendo da Constituiçom europeia. Porque, polo sim ou polo nom, nunca mais devemos esquecer o que somos: CLARAMENTE NEGROS.
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