directório activista queer
MariBolheras Precárias
,
23.08.2005 00:27, (Id: 4379)
Desde MBP vimos trabalhando há algum tempo na elaboraçom de um directório determinante, inexistente até o momento, de grupos e colectivos activistas queer a nível internacional.
Act Up nas ruas de Paris
Existiam nalgumhas webs e listas certas compilaçons de ligaçons, mas nom existia negum directório completo e actualizado que amossara a grande diversidade e radicalidade do activismo queer.
Todos os grupos que aparecem tenhem página web e adjunta-se também o seu email. Excluirom-se aqueles grupos LGBT que, bem polo seu reformismo, bem pola sua identidade clássica gai-lésbica, nom se adequavam a um espaço de luita queer. Dito isto, o critério que se empregou é amplo, e vai desde o antagonismo mais actual (pornflakes) até o radicalismo gai revolucionário (Gayshame) passando polo antifascismo autómo marika (Rosa Antifa Wien), a luita contra a SIDA (Act Up) ou o anarko-anticapitalismo (Les Pantheres Roses de Montreal).
Se tès algumha sugerência ou conheces algum grupo que nom esteja incluido, fai-no-lo saber:
maribolheras@hotmail.com
Directório Activista Queer
Queer Activist Directory (directório em Copyleft from MBP)
Movimento omosessuale Sardo –MOS- (Sardenha)
http://www.movimentomosessualesardo.org/
info@movimentomosessualesardo.org
Circolo Pink (Verona, Itália)
http://www.circolopink.it/
info@circolopink.it
Azione Gai e Lésbica (Florência)
http://www.azionegayelesbica.it/
info@azionegayelesbica.it
Antagonismo Gay (Bolonha, Itália)
http://www.ecn.org/agaybologna/
agaybologna@ecn.org
Pornflakes (Itália)
http://www.pornflakes.it/
webmadmaster@pornflakes.it
Raras Somos Todas (Rias Baixas, A Galiza)
http://usuarios.lycos.es/rarassomostodas/principal1.htm
rst@rarassomostodas.org
As Panteras Rosa (Lisboa, Portugal)
http://www.panterasrosa.web.pt/
panteras.rosas@sapo.pt
Les Pantheres Roses (Paris, A França)
http://www.pantheresroses.org/
pr@pantheresroses.org
Les Panthères Roses (movimento queer radical de Montreal, O Quebec):
http://www.lespantheresroses.org/
lespantheresroses@yahoo.ca
Ass Pirates (Montreal, O Quebec):
http://asspirates.taktic.org/
asspirates@taktic.org
La Eskalera Karakola (Madrid, Espanha)
http://www.sindominio.net/karakola/
karakola@sindominio.net
Precárias a la Deriva (Madrid, Espanha)
http://www.sindominio.net/karakola/precarias.htm
precariasaladeriva@sindominio.net
Liberacción (Madrid, Espanha)
http://www.liberaccion.org/
contacta@liberaccion.org
Kvisha shchora/Black Laundry (Tel Aviv, Palestina-Israel)
http://www.blacklaundry.org/
kvisamail@yahoo.com
Action for Radical Change –Leeds ARC- (Leeds, Inglaterra)
http://www.leedsarc.org.uk/
leedsarc@yahoo.co.uk
OutRage! (Londres, Inglaterra)
http://www.outrage.org.uk/
outrage@blueyonder.co.uk
Riot Grrrl (Europa, Internacional)
http://riotgrrrleurope.net/
ms_scarlet@btinternet.com
Queer Skinhead Brotherhood (Internacional)
http://www.io.com/~qsb/
qsb@io.com
Queeruption (Internacional)
http://www.queeruption.org/
info@queeruption.org.
Queer Mutiny North (Inglaterra)
http://www.queermutiny-north.da.ru/
queermutiny-north@graffiti.net
Queers Without Borders (Inglaterra)
http://www.queeruption.org.uk/qwb
info@queeruption.org.uk
Bang Bang (Genebra, A Suiça)
http://bangbang1969.free.fr/
bangbang1969@free.fr
Front d’Alliberament Gai de Catalunya –FAGC- (Catalunya)
http://www.fagc.org/
fagc@pangea.org
Group de Lesbianes Feministes (Barcelona-Catalunya)
http://www.lesbifem.org/
info@lesbifem.org
Old Boys (Alemánia)
http://www.obn.org/
boys@obn.org
Rosa Antifa Wien (Alemánia)
http://www.raw.at/
raw@raw.at
Rosa Lila Villa (Alemánia)
http://www.villa.at/
Lesbenberatung@villa.at
A.G. Gender Killer (Alemánia)
http://www.gender-killer.de/
a.g.gender-killer@gmx.de
Lesbenring (Alemánia)
http://www.lesbenring.de/
buero@lesbenring.de
Drag Kingdom (Alemánia)
http://www.dragkingdom.de/
kontakt@dragkingdom.de
Act Up (Paris)
http://www.actupparis.org/
actup@actupparis.org
Act Up (Kathmandu, O Nepal)
http://www.actupny.org/indexfolder/AUkathmandu.html
rajhiv2002@yahoo.com
Act Up (A India)
http://www.actupny.org/indexfolder/AUIndia.html
actup_india@yahoo.co.in
Act Up (Califórnia, USA)
http://www.actupny.org/indexfolder/AUsocal.html
actupactup@aol.com
Act Up (Filadélfia, USA)
http://www.critpath.org/actup/
actupp@critpath.org
Act Up (Nova Iorque, USA)
http://www.actupny.org/
actupny@panix.com
Gay Shame (San Francisco, USA):
http://gayshamesf.org/
gayshamesf@yahoo.com
Queers undetermining israeli terrorism -QUIT-(USA)
http://www.quitpalestine.org/
quitpalestine@yahoo.com
Lesbian Avengers (Boston, USA)
http://www.lesbianavengers.org/
sheerchaos@aol.com
Lesbian Avengers (Filadélfia, USA):
http://www.geocities.com/phillyavengers/
PhillyAvengers@yahoo.com
Lesbian Avengers (San Francisco, USA)
http://www.lesbian.org/sfavengers/index.html
sfavengers@hotmail.com
Lesbian Avengers (Atlanta, USA)
http://www.angelfire.com/ga2/AtlantaAvengers/home.html
akzenith8@aol.com
Lesbian Avengers (Salt Lake City, USA)
http://www.geocities.com/lesbianavengersutah/
kapeterson199@yahoo.com
Lesbian Avengers (Gains Ville, USA)
http://www.geocities.com/gainesvilleavengers/
gnsvlle_avengers@yahoo.com
Lesbian Avengers (Cincinnati, USA)
http://www.geocities.com/cinci_avengers/
rivkah_rut@yahoo.com
Queer Fist (Nova Iorque, USA)
http://www.queerfist.org/
info@queerfist.org
Resyst (Pittsburg,USA)
http://www.thomasmertoncenter.org/resyst/index.html
ResystPittsburgh@yahoo.com
Queers United Against Kapitalism –QUAK- (Vancouver, O Canadá):
http://quak.resist.ca/home
quak@resist.ca
Queer Diversity (Toronto, O Canadá)
http://www.queerdiversity.com/
info@queerdiversity.com.
Limp Fist (Toronto, O Canadá):
https://members.tao.ca/%7Elimpfist/
limpfist@tao.ca
Kaos GL (Turquia)
http://www.kaosgl.com/
dergi@kaosgl.com
Euskal Herriko Gay Askapen Mugimendua –EHGAM- (Gipuzkoa, Euskal Herria)
http://www.ehgam.org/
ehgam@yahoo.com
galego,
23.08.2005 - 12:55 (Id: 3503)
Por que non metedes aos grupos gais galegos? non vivides no País? E que vos pensades que sodes mellores e diferentes? non están á vosa altura? Moito mirar fora e a casa sen varrer....Ainda que xa sabemos que en La Coruña vos gusta moito o inghles. Menos inghlés e menos moderneces carallo!
as nómadas queer,
23.08.2005 - 13:58 (Id: 3504)
tesme medo porque non son coma ti!
Penso que fica claro no post que este é um directório de activismo queer, nom gai. O outro grupo galego de inspiraçom queer (Raras Somos Todas) já está no directório, mas claro, possivelmente, entre tanto inghlés, nom o viste.
Quando queiras combinamos para tomarmos umhas cuncas de ribeiro e cantarmos umhas de Suso Vaamonde; a "modernez" é o que tèm...
pd. O pe de foto vai em castrapo para que lo entiendas... ghuapo!
a ver,
23.08.2005 - 19:45 (Id: 3507)
E iso de cuir qué é que é? :)
inorante,
23.08.2005 - 23:30 (Id: 3510)
pois eu non sei se ti vas en serio mais eu si; que caralho significa queer???
un curioso
gracinhas!
Gloria Fuertes,
24.08.2005 - 02:39 (Id: 3511)
O queer é um taxi sem rumo fixo nem taxista. Que abandona as autovias dos géneros e das identidades estáveis para transitar por deconhecidas vias de prazeres, afectos ou desejos. Que fai caso omiso dos sinais e que se ri das autoridades de tráfico. Que circula por Arteixo e nom por Oleiros. Que aparca nos Malhos e nom em Juan Fórez. Que inventa caminhos nunca antes transitados. Que é "cuir"? E tu o perguntas?
Queer es tu, um taxi ingovernável. Ghuapo!
inorante,
24.08.2005 - 15:59 (Id: 3516)
se xa o dicía meu avó: A culpinha e túa preguntar...
a ver,
24.08.2005 - 16:34 (Id: 3517)
Eh, que si pregunto é por que vai en serio! Non pillo qué é/non é gai e qué é/non é queer... esa definición é moi poética e tal, pero non respondes, florecilla. A qué tes medo?
Mónada Nómada 0.1,
27.08.2005 - 21:12 (Id: 3542)
A ver, a ver...
Pero é que tanta necessidade temos de certezas e definiçons que nos acoutem, nos reifiquem e nos imponham estruturas de dominaçom ?
A mim semelha-me que, aliás de poética, a explicaçom é bastante clara. O problema pode que seja, mais bem, aquilo que dizia o filósofo: alguns chamam caos à orde que nom comprendem.
Aprendamos a desfrutar do múltiple!
Ser é diferir !
estrangeir@/estrangéner@,
29.08.2005 - 17:22 (Id: 3561)
QUEER...QUE COISA?
É umha palavra inglesa que nom tém fázil traduçom ao galego. Queer significa estranho, raro, ou na sua acepçom mais comum, simplesmente, maricom. É um termo radicalmente abjecto, venha, um insulto mui, mui feio. E basicamente homófobo. Mas “queer” nom designava só aos maricas; tambèm eram aqueles que nom podiam ser considerados normais nos seus comportamentos sexuais ou nos seus estilos de vida: eram pervertidas, desviados, enfermos, viciosas. Degenerados. As sua simples presença repugnava.
A partir dos anos 90 esta palavra começa a ter um significado claramente político. Certos seitores sociais, nas margens do sistema, começam a se chamar a sim mesmos “queer” num exerciço de reapropriaçom, de provocaçom e de subverssom do termo com o que eram categorizados desde afora. O movimento surge a princípios dos 90 em Estados Unidos, ao calor da reacçom moral que açouta Norteamérica durante os anos 80. Está conformado, dalgumha maneira, pola "escória" do movimento gai. Quer dizer, por comunidades de lésbicas chicanas, negras, pobres, marginais, transgeneros, seropossitivas, sadomasoquistas, punks, excluidas...gentes e comunidades nom assimiladas. Fora da normalidade.
Nom se pode comprender a importáncia do que significou a irrupçom deste movimento sem ter em conta a pandémia de SIDA e as políticas da direita moral que a acompanharom, ligadas à era Reagan. Numha sociedade onde o sentimento patriótico é algo central na organizaçom social, estas gentes dim que nom som norteamericanas. Nom o som nem querem sé-lo. A cidadania norteamericana nom as representava. Tampouco queriam ser incluidas. Nom se tratava de negociar ou mudar algo dentro do sistema político ou social; mas de fazé-lo rebentar. Dai surge Queer Nation: nom som cidadás norteamericanas nem o querem ser, a sua cidadania é a queer, que rebenta e desborda o próprio conceito de cidadania da modernidade.
PERFORMANCES E IDENTIDADES
Nom é o mesmo gai que queer. O gai já forma parte do sistema como identidade fixa e estável num espaço de hegemonia hetero. Mais que umha identidade em sim própria, o queer é umha crítica radical de qualquer identidade. È anti-asimilacionista e anti-esencialista. Nom designa umha classe objectivada de patologias ou perverssons, mas ela própria opera como umha permanente visualizaçom da inexistência de qualquer esência, multiplicando até o infinito identidades de sexo ou género, tratando de colapsar o sistema binário. Qualquer identidade é umha performance. Os sujeitos, contituem-se no género (na performance). Nom existe um espaço anterior ao género, que nom obedece a nengum dado prévio: estabelece-se el mesmo apartir da “imitaçom-repetiçom” (de gestos, maneira de vestir, falar, expressom de sentimentos...). O sexo, assim, é umha marca –totalmente arbitrária- produzida polos discursos de género patriarcais, para a sua legitimaçom.
A “performatividade” (palavrinha butleriana), faz referência à repetiçom compulsiva no tempo, que faz pensar que o género responde a algo natural (sexo). A sociedade exige repetir e imitar o que se supom próprio do nosso género. É atravês de umha cadeia de citas ritualizada como se produz o efeito performativo.
As pessoas somos construidas de maneira incoerente, vulnerável, nom rígida. O corpo, na sua materialidade, está construido pola linguagem, polos discursos performativos sobre o corpo, que obedecem, eles próprios, à heterossexualidade e á reproduçom. Neste sentido, o queer emerge como questionamento do conceito de “normalidade”. A nossa liberdade, pois, procede dos falhos na cadeia de citas ritualizada, das incoerências do sistema. O queer seria assim o exterior constitutivo, o que está nas margens, e que se manifesta como potência de subverssom enorme.
DEFINIÇONS?
O queer é, em si mesmo, algo indefinível. Todos os intentos de definiçom som inúteis, e no momento em que triunfe umha definiçom, umha categorizaçom, umha institucionalizaçom (por exemplo nos estudos académicos) o queer perderá o seu poder de transformaçom, de revulssivo, e as queers deixaram de chamar-se a sim mesmas como tais. De facto, há umha batalha permanente na que o Imperio Sexual trata de o integrar: a proliferaçom de estudos académicos encorsetados, de literatura “queer” e até de umha própria “intelligentsia queer” fam que, ao melhor, às que agora nos declaramos queers (que nom é mais que umha definiçom política estratêgica), num futuro próximo reneguemos desse termo. Pois o objectivo nom é criarmos umha escolástica, ou partirmos de umha posiçom antagónica para ganharmos poder e negociarmos assim melhor com o sistema.
O objectivo é permanecermos ingovernáveis, nom integráveis.
INVENTAR A VIDA
O queer é um magma de peças que nom encaixam no puzzle (hetero)sexual. Peças que, elas próprias, estam em rebeldia e transformaçom permanente. Só desde a exlussom, desde as margens, podemos ser VIDA e fluir como potência de subversom extraordinária. O sexo, os afectos ou os prazeres e a sua relaçom entre eles, ou mesmo o seu próprio significado, estam permanentemente por inventar. Há um horizonte infinito de possibilidades. Podemos plantejar, pois, o queer como umha experimentaçom e umha exploraçom de práticas vitais, políticas e teóricas inestáveis, contraditórias, permanentemente problematizadas. Um desejo permanentemente vivo de mudança radical. Ao meu modo de ver, o queer é um fluir antagonista global que, desde presupostos emancipadores, passa pola crítica radical e a desmontagem dos dispositivos da Modernidade. Trata-se de questionar o que até agora era evidente, de questionar qualquer estrutura binómica (masculino/feminino, varom/mulher, homossexual/heterossexual, enfermo/sam...
A teoria queer bebe da crítica que Foucaul faz da modernidade. E, por suposto, compartilha dinámicas comuns com o chamado post-feminismo, com as políticas postcoloniais, com as inspiradas por Deleuze ou com o próprio antagonismo italiano. E mesmo com o zapatismo. Já o dizia Goytisolo em Makbara:
arrojar los inútiles zapatos de tacón,
hollar con pies descalzos la fina ondulación de las dunas
caminar, caminar, perderse en el desierto
Mónada Nómada 0.1,
30.08.2005 - 08:44 (Id: 3569)
Sintético, pedagógico e necessário: graças por esta última aportaçom.
Beijinhos,
+
http://nomadas.alfablog.com/post/1004/queer/quuercoisa.html