Os próximos dias 4, 5, e 6 de novembro parte a Ceuta a Caravana Europeia contra o valado da morte. Nengumha pessoa é ilegal...Participa!
CARAVANA EUROPEIA CONTRA O VALADO: NENGUMHA PESSOA É ILEGAL
Os próximos dias 4, 5, e 6 de novembro parte a Ceuta a Caravana Europeia contra o valado da morte.
“Grupos e espaços sociais auto-organizados, comunicadores sociais, cidadáns europeus nados aqui e alá, associaçons de vizinhos, assembleias e foros de imigrantes decidimos ir desde distintos pontos da Europa numha caravana aos valados de Ceuta para que o nosso “basta” poda ouvir-se alto e claro. Aos valados como lugar de um crime perpetrado em nome das democracias europeias. Aos valados como símbolo de um regimem de fronteiras que nom só está feito de barreiras físicas e áreas de vigiláncia cada vez mais militarizadas, mas também de um sistema de acesso aos direitos que cria cidadans de primeira e de segunda categoria (e “nom cidadans”) produzindo autênticos apartheids laborais e sociais que cerceam e precarizam o laço social e o impregnam do medo ao outro.
Invitamos-vos a todas, homens e mulheres das distintas cidades europeias, a somar-vos a esta viagem. Porque hoje mais que nunca, frente à barbárie, contra a multiplicaçom das barreiras e os sistemas de inclusom/exclusom na Europa realmente existente, produzir o comum significa dizer basta ao valado da morte e a todo o que este simboliza: nom no nosso nome. E significa também produzir umha aliança com os que o tentam cruzar, defendendo o seu direito à existência, que também é o nosso...num mundo melhor”.
* Mais informaçom:
** Saídas de avions, autocarros, ferry e itinerários
**Informaçom, logística e comunicaçom desde Galiza:
nobordersgz@hotmail.com
*** Sítio Web de referência :
http://estrecho.indymedia.org
* Chamamento europeu:
Caravana europeia contra o valado: nengumha pessoa é ilegal
4, 5, 6 de novembro de 2005
O facto de que a gente morra nas fronteiras, por desgraça, nom é nada novo e menos nessa fronteira sul da Europa que separa o Reino de Espanha do Reino de Marrocos: tam só pensemos na quantidade de restos de pateras atopadas à deriva ao longo destes anos. Nom som novidade as deportaçons ilegais, ao deserto de Algêria ou a países terceiros, com frequência de solicitantes de asilo cuja petiçom nunca foi admitida a trámite. Tampouco é novidade que a gente trate de cruzar as fronteiras: de facto, mais que umha barreira infranqueável, estas funcionam como um dique, com o seu complexo sistema de eclusas, que determina quem passa e quem nom, e com que custo.
Saltar os valados que separam os enclaves coloniais de Ceuta e Melilha do território marroquino é, desde há tempo, umha via de entrada na Europa, sobretodo para os que nom podem ou nom querem pagar o visado falsificado, a patera ou ao guarda civil que fará a vista gorda no momento adequado.
Que há de diferente, pois, nas imagens que tenhem chegado nas últimas longas semanas desde Ceuta e Meliha? É diferente a brutalidade que adquiriu o regimem de fronteiras: por primeira vez, as forças de segurança (pouco importa baixo que bandeira, a fim de contas o grau de “cooperaçom” é cada vez mais alto) dispararom a matar a quem tentavam cruzar saltando o valado. Por primeira vez, as deportaçons fizerom-se a zonas do deserto alonjadas de qualquer populaçom e, portanto, de qualquer subministro de água e alimento. É também distinta a quantidade de gente que tentava saltar. Talvez polo controlo do Estreito polo Sistema Integral de Vigiláncia Exterior (SIVE) que obriga a procurar rotas alternativas? Pola suba dos preços cobrados polas redes de contrabandistas? Porque o salto do valado implica nom arriscar-se com essas máfias? Terá que ver o aumento da cooperaçom policial hispano-marroquina e a conseqüente intensificaçom da pressom das autoridades marroquinas sobre quem utilizam marrocos como país de tránsito na sua migraçom ao Norte?
Factores do peso que, entre outras coisas, obrigam a interrogar-se sobre os motivos de que a fronteira sul seja a mais militarizada das fronteiras europeias.
Há mais coisas que som diferentes nesta ocassom: a medida que as imagens forom colando-se nos nossos espaços cotidianos, através da televisom e do rádio, foi-se-nos fazendo mais e mais insuportável olhar, mais umha vez, como outras tantas vezes, o outro lado.
Em distintos pontos da Europa, convocarom –se concentraçons, vigílias e manifestaçons que diziam basta: basta de assasinatos, basta deportaçons homicidas, basta de malheiras e vejaçons, basta de invertir em militarizar as fronteiras.
Grupos e espaços sociais auto-organizados, comunicadores sociais, cidadáns europeus nados aqui e alá, associaçons de vizinhos, assembleias e foros de imigrantes decidimos ir desde distintos pontos da Europa numha caravana aos valados de Ceuta para que o nosso “basta” poda ouvir-se alto e claro. Aos valados como lugar de um crime perpetrado em nome das democracias europeias. Aos valados como símbolo de um regimem de fronteiras que nom só está feito de barreiras físicas e áreas de vigiláncia cada vez mais militarizadas, mas também de um sistema de acesso aos direitos que cria cidadans de primeira e de segunda categoria (e “nom cidadans”) produzindo autênticos apartheids laborais e sociais que cerceam e precarizam o laço social e o impregnam do medo ao outro.
Invitamos-vos a todas, homens e mulheres das distintas cidades europeias, a somar-vos a esta viagem. Porque hoje mais que nunca, frente à barbárie, contra a multiplicaçom das barreiras e os sistemas de inclusom/exclusom na Europa realmente existente, produzir o comum significa dizer basta ao valado da morte e a todo o que este simboliza: nom no nosso nome. E significa também produzir umha aliança com os que o tentam cruzar, defendendo o seu direito à existência, que também é o nosso...num mundo melhor.