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VIGILANTES
Sr. Martínez Lirón , 01.02.2007, (Id: 9861)
Ninguém, desde um sindicalismo de classe minimamente sério, que ainda existe, tem a menor dúvida a respeito de que guardas civis, antidistúrbios e polícias nom som trabalhadores. Realmente, a prática colocou frente a frente uns e outros em multidom de ocasions e impujo o elementar sentido comum que assegura que o exercício da repressom, mesmo que seja cumprindo o movimento articular final dumha longa cadeia de mando que parte dumha Delegaçom do Governo, nom é um trabalho, e quem cobram por realizar esta funçom nom som trabalhadores. Som repressores.


De facto, e como prova, os próprios guardas civis, antidistúrbios e polícias som conscientes da realidade e, além do que imponhem os seus regulamentos internos, nom se organizam nunca como tais nos chamados sindicatos de classe nem demandam o apoio de outros sectores sociais quando se encontram em conflito profissional com o Estado que os emprega: optam por defender os seus interesses à margem, criando as suas próprias e exclusivas associaçons corporativas.

Frente a esta verdade elementar alguns argumentam –se calhar, embargados por um falso paternalismo ou por sentimentos de compasiom cristá- que guardas civis, antidistúrbios e polícias procedem em muitos casos das classes populares galegas, que falam habitualmente a nossa língua nos vestiários, que “nom todos som iguais” (sic) e que, certamente, também som “vítimas”, porquanto a sua própria eleiçom pessoal está determinada, em última instáncia, por umha específica estrutura sócio-económica dependente e pola alienaçom que esta produz na populaçom que se encontra sob ela. Disgraçadamente, estas consideraçons nom solucionam nada nem desmintem a anterior argumentaçom: o poder recrutou sempre os seus mamporreiros entre os sectores mais depauperados do povo e isso nom libera aqueles –os mamporreiros- da sua condiçom, por muito compreensíveis que sejam dum ponto de olhada puramente humano determinadas situaçons. Devemos tirar-nos as vendas dos olhos e os paternalismos da cabeça: a procedência de classe nom é um passaporte que libere ninguém das suas responsabilidades nem um lábel de ingenuidade eterna: quem é e age como agente da repressom contra os seus, vir donde vir, falar o que falar, nom é um trabalhador e nom pode ser admitido como tal.

Se todo o anterior parece medianamente evidente para um amplo sector do que alguns chamam candidamente “antagonismo”, semelha que as cousas se nos complicam, ou polo menos se nos distorcionam, quando de que falamos é de carcereiros e vigilantes privados. Deixaremos os primeiros para outra ocasiom e esqueceremos que o “produto” da sua “força de trabalho” é o controlo, a contençom e a violência aplicada de modo preciso sobre quem, procedendo também do povo, preferírom em muitos casos optar por resistir politicamente, desrespeitar o tótem da propriedade privada ou, simplesmente, consumir e comercializar substáncias proibidas como via de escape ou fonte de recursos.

Falemos pois dos segundos –dos vigilantes- que, aliás, estám “de moda” em Compostela trás a decisom da Reitoria da USC de recurtar gastos reduzindo o quadro de pessoal de Prosegur que opera na instituiçom e sem tocar, evidentemente, os salários, privilégios e prevendas dos seus responsáveis e da larga coorte de zánganos e parasitos que medra ao seu redor.

CIG ¿e CUT? apresárom-se a saír em defesa dos “trabalhadores”, equiparando o seu serviço ao de jardineiros, técnicos de mantença e limpadores e agitando a insegurança que, paradoxalmente, sintem agora eles e as suas famílias ante a perspectiva do desemprego. Embora, algo renge fortemente na equiparaçom: se é certo que som trabalhadores, qual é o bem ou o serviço que eles “produzem”? Responderá-se-nos: “produzem serviços: segurança para todos e protecçom dos bens materiais públicos e privados”. De facto, isto é o que respondem os próprios interpelados pola política de recurtes de Senén Barro e o que o reitor argumenta para contratar Prosegur na USC.

Contodo, isto nom deixa de ser umha falsidade. Se destripamos um pouco o mundo real, olhamos que a afirmaçom nom se sostém: a “segurança” nom é, neste caso, um serviço social, mas apenas a defesa activa, ou habitualmente passiva –coerçom através da mera presença-, dum determinado estado de cousas que se pretende fazer passar por legítimo e socialmente necessário. Neste caso, é na USC, mas também poderia ser num área comercial, um edifício institucional, umha estaçom de trem, umha escola ou um centro de produçom. Em todos os casos, os vigilantes, sintam-se como se sintam no seu imaginário pessoal de autolegitimaçom, jogam o papel de presença fáctica do poder e elemento intimidatório frente a reais ou potenciais transgressores da ordem estabelecida nos espaços que “protegem”: o ingresso em manifestaçom de trabalhadores precarizados da administraçom autonómica num edifício oficial, o protesto organizado dos usuários de Renfe polos incumprimentos da empresa, ou a tentativa dum piquete informativo de entrar num centro comercial, encontrarám sempre à sua frente os vigilantes, como barreira de contençom, como advertência intimidatória ou como exercício brutal e legítimo da violência.

Longe destes exemplos mais espectaculares e, neste momento, inusuais, que citamos, está a pedagogia social que transmite o poder através da crescente presença diária do vigilante por toda a parte: a ideia subliminal e antidemocrática de que o espaço público nom pode ser gerido livremente polos cidadáns e as cidadás; de que é um espaço adverso, inçado de ameaças e perigos para os indivíduos e que, portanto, o poder, como representante legítimo de todas e todos nós, deve intervir decisivamente através da administraçom do controlo e a violência, para salvaguardar uns indivíduos de outros e dos perigos que a todos ajejam. Simultaneamente, obtém uns ganhos multimilionários....

A vigiláncia privada é, hoje, graças à construçom mediática e policial da paranóia da “insegurança cidadá”, um dos sectores económicos em expansom da economia. Os vigilantes nom cumprem um serviço social, mas velam pola propriedade privada e, especialmente, pola sustentabilidade da ordem tal e como está estabelecida esvaziando o Estado dum outro “serviço”. Trabalhadores em conflito, ciganos, toxicómanos, estudantes protestatários, jovens rebeldes, indivíduos suspeitos, emigrantes, etc. podem falar mais e melhor do que ninguém sobre a “funçom social” dos vigilantes.

Os empregados de Prosegur na USC apesar de “trabalharem” num contexto de relativa calmaria social, destacárom-se quando pudérom faze-lo como ferozes defensores do státus quo dominante na empresa à que emprestam os seus “serviços”: abrírom cabeças no seu dia, especializárom-se também na repressom de liberdades públicas nos cámpus da USC, agírom como soprons do patronato, a Polícia espanhola e a municipal, como ordena o regulamento legal polo que se regem, etc. Mais de umha vez, eles, que agora se sintem “inseguros” e agitam umha imaginada condiçom de classe –diferenciemos procedência e condiçom!- enquanto demandam solidariedade dessa selva que denominam “comunidade universitária”, colocárom-se precisamente à nossa frente, agredírom-nos, agírom como chivatos, etc. Certo: cumpriam funçons encomendadas, mas os antidistúrbios que enviárom ao hospital dezenas de operários vigueses no passado 8 de Maio encontravam-se na mesma situaçom.

A inóqua imagem tranquilidade que oferecem uns senhores uniformados a passeiar prazidamente de carro amarelo todo o dia é fruto dumha situaçom transitória de calmaria social, onde os estudantes nom reivindicam e os trabalhadores nom se movem, mas nom se corresponde nem com o “historial”, nem com as funçons atribuidas, nem com a prática potencial. Poderiamos considerar “normal”, “sam”, “respeitável” ou “digno” àquel que, revestido com um uniforme azul, um casco a prova de golpes e a garantia de impunidade que achega umha bandeira espanhola oficial cosida num dos seus deltoides, ganha o pam disolvendo manifestaçons, abrindo cabeças ou disparando pelotas de goma? Evidentemente, nom, embora o víssemos brincar à paisana umha manhá de domingo com as suas crianças.

Com os vigilantes ocorre o mesmo: nom som trabalhadores, som repressores!
Cada pau que agüente a sua vela.
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