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Crueldade em quintas de peles em Portugal
Pica Miolos , 27.03.2007, (Id: 10338)
A ANIMAL (organização não-governamental de defesa dos direitos dos animais) captou imagens chocantes da forma como os coelhos são tratados em quintas em Alcobaça, Bombarral, Fafe, Ílhavo, Lourinhã, Pombal, Sabugal, na sequência de uma investigação sob disfarce que realizou, em Outubro passado
Crueldade em quintas de peles em Portugal

A ANIMAL (organização não-governamental de defesa dos direitos dos animais) captou imagens chocantes da forma como os coelhos são tratados em quintas em Alcobaça, Bombarral, Fafe, Ílhavo, Lourinhã, Pombal, Sabugal, na sequência de uma investigação sob disfarce que realizou, em Outubro passado, em várias quintas portuguesas de criação de coelhos para aproveitamento do seu pêlo, que funcionam de forma "praticamente secreta" em Portugal. Um negócio lucrativo, com ligações comerciais com Espanha e China, "habilmente disfarçado" sob a capa da produção da carne de coelho, ante a inoperância e negligência por parte das autoridades nacionais, denuncia a ANIMAL.

Numa conferência de imprensa promovida em Zurique, em Dezembro, pela Swiss Animal Protection, a ANIMAL mostrou os resultados da sua investigação. A Imprensa suíça ficou chocada; a Imprensa portuguesa ignorou.

O Ministério da Agricultura, através do gabinete do ministro e em articulação com a Direcção-Geral de Veterinária, afirmou, no dia 12 de Outubro (muito pouco tempo antes do início da investigação), em resposta a um requerimento do deputado Luís Carloto Marques, que "a Direcção-Geral de Veterinária não conhece a existência e funcionamento de quaisquer unidades, centros ou quintas de criação e/ou abate de animais para extracção do seu pêlo, nem existem normas legais para o seu funcionamento".

A investigação da ANIMAL prova, por um lado, que o Governo não controla de todo este comércio secreto e, por outro lado, mostra que as autoridades máximas em Portugal neste domínio (Ministério da Agricultura e Direcção-Geral de Veterinária) nem sequer têm noção de que existem dois decretos-lei diferentes aplicáveis a esta área: o Decreto-Lei n.º 64/2000, de 22 de Abril, relativo à protecção dos animais nas explorações pecuárias (incluindo de animais mantidos para produção de pele com ou sem pêlo); e o Decreto-Lei n.º 28/96, de 2 de Abril, relativo à protecção dos animais no abate ou occisão (incluindo de animais destinados ao aproveitamento da sua pele e pêlo).

Para Miguel Moutinho, presidente da ANIMAL, "quem usa pêlo de coelho e julga que isso é bonito tem que saber que coelhos aterrorizados foram mantidos em jaulas miseráveis e mortos com apenas seis semanas de idade – ou com entre três a cinco meses, no caso de terem sido criados apenas pelo seu pêlo –, tendo sido tratados de forma violenta e inseminados artificialmente de forma invasiva e cruel, e tendo sido degolados muitas vezes enquanto estão ainda conscientes, para que o seu pêlo fosse convertido numa estola ou num adereço, possivelmente num enfeite de um relógio, sapato, mala ou brinco, ou para ser parte de um colete ou casaco".

"Usar o resultado de tanta violência e injustiça cometidas contra animais com um fim tão supérfluo é uma opção repugnante, é escolher um visual composto de partes de cadáveres de animais que foram explorados e violentamente mortos para algo de absolutamente condenável e injustificável", condena Miguel Moutinho.

Muito em breve, a ANIMAL usará esta investigação como base para defender uma futura proibição em Portugal da captura e/ou criação e morte de animais apenas para extracção do seu pêlo, ao mesmo tempo que está a tratar de encaminhar toda a informação apurada no decurso desta investigação para o Ministério da Agricultura, como autoridade competente para fiscalizar e disciplinar este negócio que acontece no país de forma completamente não controlada.

Esta investigação prova como este comércio é cruel e global, não conhecendo barreiras, sendo o pêlo de coelho produzido em Portugal exportado também para a China, via Espanha, vindo a ser processado a muito baixo custo neste gigante asiático, de onde regressa já sob a forma de acessório de moda para Portugal e para muitos outros países da Europa.
O vídeo "As Verdadeiras Vítimas da Moda", que apresenta os resultados desta investigação, está disponível em www.tvanimal.org/index.php?option=com_content&task=view&id=35&Itemid=43.


Fonte: "Notícias da ANIMAL" , 4 Jan. 2007

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A ANIMAL é uma organização não-governamental que desenvolve campanhas de educação e informação do público acerca dos animais, das suas características e necessidades e do modo como estes são negativamente afectados pelas diversas indústrias que os exploram, incluindo campanhas de alerta e protesto, investigações especiais e denúncias públicas, envolvimento da comunicação social na exposição pública da crueldade contra animais, acções judiciais e contacto com autoridades e decisores políticos, para promover o avanço do respeito pelos direitos dos animais e a sua protecção.