Alexandre Bolívar, Cristopher Machado, Santiago Mendes e Carlos Pena, som quatro trabalhadores, vizinhos de Ponte Areias, que tenhem que declarar na “Audiência Nacional” sob a acusaçom de “injúrias à Coroa”. Conversamos com eles a poucos dias do seu deslocamento a Madrid
A vindoura terça-feira 29 de Janeiro tendes que declarar na “Audiência Nacional” acusados de injúrias à Coroa
Alex.- Sim, efectivamente, estamos citados por Grande Marlaska, acusados de termos queimado no dia 6 de Dezembro, em Vigo, um boneco de madeira, tamanho natural, do rei espanhol, após ter finalizado a manifestaçom autodeterminista de Causa Galiza.
Tanto eu como o Carlos responsabilizamo-nos por esta acçom simbólica, que pretende chamar a atençom para denunciar o Estado espanhol nas suas evidentes responsabilidades na marginalizaçom e opressom que padece o nosso país, pola grave situaçom de exploraçom e carência de futuro que padecem amplas camadas da classe trabalhadora, basicamente a juventude.
Carlos.- Somos revolucionários galegos, somos militantes da esquerda independentista e nom reconhecemos o Bourbom como rei da Galiza. Nom podemos desconsiderar que foi posto por Franco e carece da mais mínima legitimidade democrática. A sua figura representa a negaçom dos direitos mais elementares dos povos, a impossibilidade de exercermos a autodeterminaçom, de podermos decidir o nosso futuro colectivo sem entraves de nengum tipo.
Eu quero que as minhas filhas podam viver em galego numha sociedade galega livre e igualitária. Só umha República Socialista pode garantir algo tam simples como isto, que todas as pessoas sejam iguais, tenham idênticos direitos.
Como é o vosso estado de ánimo?
Cris.- Estamos tranquilos. Afrontamos esta nova acçom repressiva contra a esquerda independentista com serenidade e com firmeza. Somos plenamente conscientes que o Estado espanhol pretende impor umha nova acçom exemplarizante para dificultar o desenvolvimento do projecto independentista e socialista galego. Mas a história tem demonstrado a inutilidade destas medidas, pois quando um povo tem confiança no seu futuro e vontade de luitar, nom há maquinaria repressiva que o contenha.
Santi.- Contamos com o apoio e a solidariedade da nossa organizaçom, de NÓS-UP, e do conjunto do MLNG. No meu caso, com o apoio absoluto e incondicional da minha família e amig@s. Vamos a Madrid com a firme determinaçom e convencimento que a luita é o único caminho, que é necessário combater as políticas neoliberais que provocam o enriquecimento de uns poucos e o emprobrecimento de cada vez mais amplas camadas da classe trabalhadora. Eu quero que as minhas filhas podam viver em galego numha sociedade galega livre e igualitária. Só umha República Socialista pode garantir algo tam simples como isto, que todas as pessoas sejam iguais, tenham idênticos direitos.
Carlos.- A repressom que Espanha exerce sobre a esquerda independentista tem que ser assumida como natural entre a militáncia revolucionária e os sectores mais avançados do movimento popular. Som uns imperialistas fracassados e depois de 500 anos ainda nom lográrom assimilar-nos. Quase três décadas depois da morte de Franco, o actual regime espanhol e as forças políticas em que se apoia, chamem-se PP ou PSOE, BNG ou IU, negam os direitos mais elementares para a classe obreira e as naçons como Galiza, que luitam por sobreviver. E para impor o seu projecto nom duvidam em exercer a repressom com todas as suas variantes.
Alex.- É necessário afrontar a repressom com alegria e coragem. Nom nos podemos deixar amedrontar. Um povo que luita, umha classe que luita, padece repressom. É a nossa incómoda companheira de viagem. Sempre foi assim. Se nom há luita nom há repressom. É muito simples.
Que queredes transmitir à sociedade galega?
Alex.- Em primeiro lugar, umha reflexom sobre os défices democráticos de um regime que criminaliza as ideias, que fai do Chefe do Estado um fetiche intocável, semelhante aos monarcas absolutos, e que conserva um tribunal de excepçom, como é a “Audiência Nacional” espanhola, para combater a dissidência política. Nom podemos esquecer que esta instituiçom é continuaçom do Tribunal de Ordem Pública franquista, o famoso TOP por onde passárom centenas de trabalhadores e trabalhadoras, de estudantes e jovens galegos.
Hoje somos nós, como há uns meses fôrom outros militantes independentistas, quem somos citados por exercer a liberdade de expressom e defender os direitos nacionais da Galiza.
Cris.- Há uns dias, lim numha página web, nom lembro agora qual, umha reflexom a respeito da criminalizaçom das ideias republicanas por parte do regime espanhol, que perguntava se queimar umha carta com o selo do rei espanhol está também tipificado como um delito. Qual é a diferença entre isto e queimar um boneco? Porque este acto de oposiçom está penalizado num Estado que se declara democrático e de direito?
Santi.- O que aconteceu em Vigo no dia 6 nom é um delito. É um simples exercício de liberdade de expressom que na maioria dos estados da nossa área geográfica nom teria a mais mínima conseqüência jurídica. Mas aqui, os Zapatero e Rajoi de serviço, com a inestimável ajuda dos Quintana e companhia, pretendem meter medo, como antes tentárom ocultar a brutal repressom franquista, o holocausto que padeceu o nosso povo após 1936.
Carlos.- Solicitamos a solidariedade de todas as pessoas que se considerem demócratas e do conjunto do movimento popular. Estamos orgulhosos de ser luitadores galegos e vamos ir a Madrid com a cabeça bem alta.
http://www.nosgaliza.org/principal.php?pag=lernot&id=1401