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8 de Março : Orgulho de mulher
CNT-compostela , 06.03.2008, (Id: 14677)
No nosso mundo globalizado convivem uns outros mundos muito longe desta suposta sociedade próspera e desenvolvida, às vezes ao lado nossa.
Quem sofre a opressão, fome e miséria com quase total aussência de perspectivas somos todas e todos os trabalhadores e trabalhadoras, mas acentua-se gravemente no caso das mulheres e as suas filhas e filhos.

- As cifras cantam : 2/3 dos 300 milhões de crianças que não têm aceso à educação são mulheres e como resultado são os 2/3 de analfabetas do mundo (880 milhões).

- Uma de cada três mulheres no mundo, padece qualquer tipo de maltrato ou abuso, e não o dizem os anarquistas senão a ONU. Destas mulheres uma quarta parta sofre maltrato no embaraço.

- Ao ano produzem-se no mundo arredor de 50 milhões de abortos, dos que 20 são praticados em condições muito perigosas, e dos que um importante número são selectivos (em Índia, China o número de mulheres cai até chegar a menos do 30% da população), induzidos pela própria sociedade patriarcal e pelo estado. Não vou entrar no infanticídio ou abandonos em função do sexo pois todas conhecemos o que significa nascer mulher em muitos países.

A olhada de género e de classe, constata que o capitalismo ceba-se nos mais vulneráveis e de jeito selvagem : milhões de mulheres (nenas e nenos as mais das vezes) entram a trabalhar nas fábricas da roupa que consumimos no chamado “primeiro mundo”, com jornadas de trabalho esgotadoras, sem ensino e sem infância, sob a mais completa exploração capitalista.
As diferenças salariais são reais : na Galiza as mulheres percebem pelo seu trabalho uns 4600 € menos de média ao ano e nos postos de maior responsabilidade chega a ser 3 vezes mais. Nestes dados não entram as empregadas do lar o que faria medrar ainda mais a distancia entre uns e outras.

Que acontece em quanto estes milhões de seres humanos caem enfermos ? Simplesmente o capital procura outras mulheres e crianças que ocupem o seu lugar na cadeia e umas outras mulheres cuidarão deles.

- Cada ano mais de 2.000.000 de nenas são enviadas ao comércio do sexo (comércio que que ocupa o terceiro posto de rentabilidade no mundo do capital após a indústria de guerra e a farmacêutica) e 4.000.000 de mulheres e meninas são vendidas ou compradas para um prometedor futuro : matrimónio, prostituição ou escravidão.

- O desemprego das trabalhadoras é quase o dobro que o dos trabalhadores. Perante os anos de crise económica essas distâncias aumentam e como não a discriminação e a desigualdade de oportunidades é uma constante, e provoca que a média salarial feminina seja um 30% menos que a masculina. O emprego gerado para as mulheres é de menor qualificação e mais eventual. Só temos que ir de manhã em qualquer autocarro do rural e vemos que centos de mulheres vêm trabalhar a diário no serviço doméstico o sector mais precarizado de todos no mundo laboral e sem direitos plenos, ao arbítrio dum patrão (as mais das vezes patroa). A situação laboral deste colectivo de trabalhadoras “serviço do lar” põe em evidência que aparte duma olhada de género, é necessária uma olhada de classe.

- Como libertárias pensamos que as duas olhadas (de género e de classe) são imprescindíveis para que se poda criar coa nossa luta, coa nossa solidariedade, unhas relações sociais diferentes que nos façam avançar para um mundo novo. Temos que reivindicarmos a esses milhões de mulheres que nos precederam na luta pelos nossos direitos e a nossa emancipação, e como anarquistas lembrar a “Mujeres Libres” que já no ano 1936 souberam levar à mulher trabalhadora a uma luta de classe e pela emancipação. O orgulho de sermos mulheres e trabalhadoras : plantar-lhe frente a um mundo capitalista e insolidário que nos leva da mão como eternas crianças e nos explora de jeito selvagem.

- A violência de género não se soluciona com leis senão com a solidariedade de todas e todos para com as vítimas. O apoio não deve ser meramente assistencial como agora senão de conceito. O abuso, acosso ou maltrato supõe o exercício do poder mais absoluto, negando a identidade do outro, submetendo a uma outra pessoa, anulando-a.

- A trabalhadora é explorada por trabalhadora, mas também por ser mulher. Temos claro que há muitos trabalhadores em precário, sem contrato, sem direitos, morrendo por miles de acidentes laborais, mas para a mulher só por questão de género soma-se uma injustiça diferencial que não se pode ignorar. (casos de companheiras despedidas por exercer o direito à maternidade).

- Outra forma de exercer o capital a discriminação contra das mulheres é o invento de categorias : A para determinados trabalhos e B para outros, dentro dum convénio colectivo por exemplo. Há casos de convénios de limpeza (outro sector onde o feminino é maioritário) onde limpar os vidros é A (masculino) e fregar os pisos B (feminino). Quem fez a lei, fez a trampa. Prometem leis que “amparem” às mulheres para conciliar vida familiar e laboral , taxas para igualar o número e categoria laboral a homes e mulheres ; cotas de participação. Em definitiva nos “enroupam” mas não se nos libera das cárregas . Temos nós que conciliarmos a vida laboral e familiar ; temos nós que nos esforçar para ser “alguém” na empresa ; temos que ser submissas e aceitar o que nos dão.

Não nos deixemos enganar pelos cantos de sereia. Neste século XXI as mulheres trabalhadoras seguimos a ser exploradas o dobro : como trabalhadoras e como mulheres. Nestes tempos é mais necessário que nunca a união, a solidariedade, o apoio mútuo e sobretudo a organização das mulheres, para que um dia se poda viver sem estereótipos nem modelos sociais que nos oprimam, para que um qualquer dia vivamos sem exploração, e esse novo mundo o conseguiremos entre todas e todos coa nossa luta diária. A emancipação social não será possível se nós seguimos a ser escravas.