galiza.indymedia.org
Interesantes apontamentos desde a cadeia de Ugio
GZ-divulgarmos , 04.07.2008, (Id: 16380)
Neste texto, tirado do seu bloque (com os pés na terra), Ugio Caamanho reflicte sobre a dimensom ideológica do independentismo actual. Moito interessante.
Escoitei que há por aí quem qualifica as nossas ideias de “post-marxismo anarquizante”. Esta mui bem! Já sei que vai com bastante cachondeio, mas a quem se lhe ocorresse a expressom há que dizer-lhe:”Bem feito algo já vas entendendo!” Algo, eh. Um pouco. Umha porçom mais bem pequena, mas já é algumha cousa.

A quem se lhe caem os aneis por ficar à margem da ortodoxia marxista? Nem por isso nem por buscar e encontrar teses úteis noutras escolas de pensamento, entre elas as anarquistas. E há que acrescentar que, umha vez privad@s das virtudes místicas daquela “ciência marxista-leninista”, postos a fuchicar entre as opinions e propostas mais prosaicas, a verdade é que encontramos mais ferramentas acaídas à nossa luita em editoriais libertárias do que no refritos de pratos velhos que se consumem nos templos da pureza ideológica. É isto um sacrilégio? Bem nós também nom professamos nengumha fé por esta religiom.

Ora, a questom nom é tam singela. Se um ou umha quer justificar ou recusar umha etiqueta nom chega com apelar ao seu índice de leituras, nem às palavras mais empregadas no seu discurso, ao menos se um ou umha leva a sério as etiquetas, e nom vejo porque nom vamos fazê-lo. Nom me refiro à de post-marxistas anarquizantes, que é brincadeira, mas à de verdade, à que resume a possiçom política e teórica do independentismo a que eu pertenço. Qual é? Marxistas? Anarquistas? Autónomos? Situacionistas, libertári@s, comunitaristas? Como digo, nom refugimos as contribuiçons de nengumha escola, e de todas elas aprendemos algo. Mas a qual pertencemos?

Toda a nossa vida, e nom apenas a dimensom política, vem marcada por duas pulsons incontroláveis que nos brotam das entranhas. A primeira é ódio à sociedade de comerciantes e carceréiros que o estado espanhol leva séculos impondo na Galiza; o ódio a sua mercantilizaçom da Terra e das pessoas, ao seu individualismo feroz que arruína todos os laços comunitários, à sua ética do sucesso económico e vantagismo a ultrança, à sua destruiçom do nosso território, à sua urbanizaçom do campo e a costa e às suas cidades horrendas e inabitáveis, aos seus ídolos laicos em forma de bugigangas tecnológicas e de marketing, à sua política falsificada, ao seu Estado omnipresente que se impom com pistoleiros, torturadores, exércitos e prisons, ao seu sistema económico que nos obriga a entregar a nossa vida para produzir mercadorias supérfluas ou até nocivas embrutecendo-nos ao mesmo tempo, à sua aculturizaçom e ao seu idioma dominante, ao seu lezer manufacturado pronto para consumir e aos seus subornos de dinheiro para comprar o lixo que oferece, poder para dominar aos vizinhos e vizinhas e fama para inflar os egos danados por tanta insensatez.

A segunda é o amor ao nosso Povo, nom apenas aos galegos e galegas de hoje, também nom exclusivamente às devanceiras e descendentes; também e especialmente, as maneiras como este povo, quer dizer nós, nos arranjamos para lidar com as asperezas da vida, da natureza e do poder estabelecido, à relaçom que conseqüentemente estabelecemos com a Terra e entre nós, às fórmulas de resistência que ensaiamos no passado e no presente, às margens de poder autónomo que constituimos e defendemos, aos sonhos e palavras que esse conflito vai generando, enraizadas nas etapas prévias e vivíssimas nas brigas actuais, aos modelos de organizaçom económica, política e social, semelhantes no seu colectivismo e igualitarismo ao do resto dos povos dominados do mundo, que por meio de nós existirom, existem e existirám apesar dos esporços de Espanha.

É precisa umha etiqueta para nos resumir? Nesse caso, podemos reconhecer que somos, na plenitude do sentido... nacionalistas. Depois de tantas excursons polo exotismo universalista, @s galeg@s, como tantas vezes, a cumprir o trajecto arredor de si.