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FIM de SEMANA QUEER-PREKARIA na QUEERUNHA
Colectivo Editorial CMI-Gz , 27.06.2007, (Id: 11576)

A construçom revolucionaria é umha sutil conjugaçom de desejos e práticas. A concretizaçom do desordem das linhas forças da sociedade espectacular (capitalista) deve preceder a autoorganizaçom dos desejos.
Neste marco de actuaçom este fim de semana volverá a ter lugar um evento (neste caso de dous días) no que tratarám de ponher-se em marcha revindicaçons radicais sobre os géneros, as sexualidades e a precarizaçom da existência.

A FAMÍLIA NUCLEAR É RADIACTIVA

Com motivo do 28 de Junho, dia da libertaçom de maricas, bolhos, bis, trans e outras dissidentes sexuais queremos realizar um exerciço de força, vida e desejo: na cidade da Corunha terá lugar umha manifestaçom, seguida dumha grande festa no Campo da lenha. Todo isto no marco dumhas jornadas mais amplas nas que diversas activistas e colectivos galegos explorarám as relaçons existentes entre sexualidades, géneros, mercado e precariedade.

ligaçom ano passado | Por que nom faltar? | Maribolheras | Lerchas | Mulheres Transgredindo | Andaina | directorio activista queer |


O 28 de junho de 1969 a polícia irrompia no bar gai Stonewall Inn de Nova Iorque. A resistência a serem arrestados provocou umha revolta que se traduziu em vários dias de distúrbios, polícias e manifestantes feridos, dúzias de veículos policiais queimados e algo muito mais importante: o nascimento do movimento de libertaçom gai.

Stonewall foi umha revolta. Foi umha revolta, sobretodo, contra a suposta existência dumha sexualidade natural: a multitom de grupos activistas que surgirom ao calor daqueles meses tinham-no mui claro: queriam ir além; entendiam a sexualidade como um espaço permanentemente por reinventar mais alá das categorias de género ou opçom sexual; ligando isto a umha experiència mais ampla de libertaçom e de transformaçom radical da sociedade.

Frente às políticas de integraçom no regimem heteronormativo apostamos pola desobediência. A heterossexualidade nom é só umha mera opçom sexual: articula-se como um autêntico regimem político que se reproduze socialmente provocando exclussons e opressons significativas. A homofobia, a lesbofobia e a transfobia seguem vivas.
As nenas marimachos e os nenos mariquitas seguem a sofrer abusos e vejaçons por parte dos seus companheiros nos colégios. Seguem a sofrer a violenta experiência dum desejo afectivo e sexual que nom encontra ligaçons no seu entorno. Abocad@s ao abismo, à soidade e precariedade afectiva, ao suicídio.
Ademais, @s "diferentes" ,seguem a ser assasinad@s em muitos lugares por desafiar as normas de género.

Mesmo em contextos como o nosso, onde os espaços de toleráncia ganhados nos últimos anos pareciam abrir novas vias para umha transformaçom e experimentaçom radical das sexualidades, emergem com força, por umha parte, as políticas homófobas e machistas da Nova Direita, em defessa dos "Valores Familiares". Por outra parte, o "gai" cristaliza como umha mera marca no mercado global, como umha forma de consumo sofisticada e cool. Queremos desvincular-nos da mercantilizaçom do "gai", do chamado dia do "orgulho", do euro rosa, dos desfiles comerciais sponsorizados por multinacionais, dos modelos neoliberais e classistas que nos tentam impór. Rechaçamos convocatórias como a do Europride em Madrid que, desde posturas acomodatícias e desideologizadas vendem-nos umha integraçom social ilusória em favor da nossa obediência e o nosso consumo. Reivindicamos umha diversidade de corpos e formas frente aos rígidos modelos publicitários, que encerram o desejo numha ditadura.

A heterossexualidade normativa, absolutamente onipresente em todo o social -educaçom, modelos, televisom, literatura, publicidade, etc- também está a provocar umha certa homonormatividade tolerada: aquela que simula os modelos de relaçom da hetero, o da parelha estável, monogámica, casada, consumidora e hipotecada. Plantejamos que hai outros modelos de vida, de afectos e prazeres.

As nossas sexualidades, sempre rechaçadas, anatemizadas, ridiculizadas, controladas, medicalizadas, ou "toleradas" som umha expressom de ingovernabilidade. E emergem com todas aquelas que sofrem estas ou outras formas de exclussom: mulheres, migrantes, precári@s, sem papéis, discriminadas por qualquer causa: façamos causa comum, a sua normalidade é bem aburrida: nom deixemos as nossas vidas nas suas mans.


proletariaPrekariçada, 27.06.2007 (Id: 8139)

Convocamos três dias de reflexom, experimentaçom e luita ao redor das sexualidades precarizadas e dos géneros dissidentes: palestras, manifa (dia 30), projecçons de cinema queer e pós-porno, performances, música, teatro,... e festa, muita festa! Em breves colgaremos o programa, estade atentas! Por suposto sempre haverá um oco para qualquer iniciativa ou actividade que proponhas e organices....paticipa ti também!



MANIFESTO MARIBOLHI

Maris, bolheras, trans, dissidentes da sociedade de géneros, proscritas das normativas...na rua outra vez na procura dumha cidade nom normativizada, libertária e libertina!!

Nesta sociedade do pós-espectáculo na que se normativiza a trampa definitiva contra a luita pola liberdade sexual: o matrimónio lesbi-gai, umha teórica permissividade com a promiscuidade, umha aparente superaçom da moralidade eclesiástica (que tem como referente o nom tam lonjano franquismo), umha pequena apertura da censora mam do estado, resulta nom só insuficiente mas insultante para umha sociedade na que, cada vez mais a regra hetero-homo, binómio em excesso reducionista, que planteja como válidas determinadas práticas sexuais (e polo tanto nom outras), mas que nom pom em qüestom a forma família, a forma fidelidade, a forma parelha,... e todo aquilo que condena às relaçons sexuais e afectivas entre iguais a um simples jogo de roles sociais, que se conjuram no plano do mediático (tanto micro como macro), e polo tanto reduzem ao mínimo o aspecto físico, o terreno do prazer e da emancipaçom por meio do nosso corpo como representaçom da nossas subjectividades transgressoras.

A igualdade gai e lésbica que se nos propóm, a do matrimónio, a do consumo rosa, a do fashion victim, nom som mais que partes do regimem heteronormativo: espelhos da família nuclear, do regimem sexual que organiza e amordaza corpos desejos e prazeres. Mas nom nos conformamos. Hai que rachar esse teito de cristal.

Reivindicamos entom a necessidade de viver fora da regra, fora da norma (excluinte). Reivindicamos o direito à resistência sexual e social fora das estruturas estancas do capitalismo (rosa).

Maribolheras Precárias somos um colectivo que nasce na Corunha Outsider, na Corunha que cabalga nas noites do prazer e a rebeldia; nos dias da intervençom biopolítica. Somos um colectivo que pretende cortocircuitar os nodos da hetero-homo-norma neoliberal libertando as nossas vidas e a nossa (nom) economia mediante a fricçom, o desejo e a alegre insurrecçom.

Ante todo isto estaremos nas ruas. Estamos e estaremos accionando um fim de semana de luita, carne e golpes de anelo de liberdade.

frente à família nuclear.....liberdade total!!!






felicidade, 30.06.2007 (Id: 8149)

Graças, graças, graças por todo esse activismo marabilhoso!





parabens, 02.07.2007 (Id: 8154)

Realmente dificil descrever a realidade de rebeliom, desejo e felicidade do sábado em Corunha. Parabens a todas, pola capacidade de transitar espaços sonhados.

Parabéns pola criatividade e o conflicto demonstrado na tarde noite do venres e o sábado