A construçom revolucionaria é umha sutil conjugaçom de desejos e práticas. A concretizaçom do desordem das linhas forças da sociedade espectacular (capitalista) deve preceder a autoorganizaçom dos desejos.
Neste marco de actuaçom este fim de semana volverá a ter lugar um evento (neste caso de dous días) no que tratarám de ponher-se em marcha revindicaçons radicais sobre os géneros, as sexualidades e a precarizaçom da existência.
A FAMÍLIA NUCLEAR É RADIACTIVA
Com motivo do 28 de Junho, dia da libertaçom de maricas, bolhos, bis, trans e outras dissidentes sexuais queremos realizar um exerciço de força, vida e desejo: na cidade da Corunha terá lugar umha manifestaçom, seguida dumha grande festa no Campo da lenha. Todo isto no marco dumhas jornadas mais amplas nas que diversas activistas e colectivos galegos explorarám as relaçons existentes entre sexualidades, géneros, mercado e precariedade.
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O 28 de junho de 1969 a polícia irrompia no bar gai Stonewall Inn de Nova Iorque. A resistência a serem arrestados provocou umha revolta que se traduziu em vários dias de distúrbios, polícias e manifestantes feridos, dúzias de veículos policiais queimados e algo muito mais importante: o nascimento do movimento de libertaçom gai.
Stonewall foi umha revolta. Foi umha revolta, sobretodo, contra a suposta existência dumha sexualidade natural: a multitom de grupos activistas que surgirom ao calor daqueles meses tinham-no mui claro: queriam ir além; entendiam a sexualidade como um espaço permanentemente por reinventar mais alá das categorias de género ou opçom sexual; ligando isto a umha experiència mais ampla de libertaçom e de transformaçom radical da sociedade.
Frente às políticas de integraçom no regimem heteronormativo apostamos pola desobediência. A heterossexualidade nom é só umha mera opçom sexual: articula-se como um autêntico regimem político que se reproduze socialmente provocando exclussons e opressons significativas. A homofobia, a lesbofobia e a transfobia seguem vivas.
As nenas marimachos e os nenos mariquitas seguem a sofrer abusos e vejaçons por parte dos seus companheiros nos colégios. Seguem a sofrer a violenta experiência dum desejo afectivo e sexual que nom encontra ligaçons no seu entorno. Abocad@s ao abismo, à soidade e precariedade afectiva, ao suicídio.
Ademais, @s "diferentes" ,seguem a ser assasinad@s em muitos lugares por desafiar as normas de género.
Mesmo em contextos como o nosso, onde os espaços de toleráncia ganhados nos últimos anos pareciam abrir novas vias para umha transformaçom e experimentaçom radical das sexualidades, emergem com força, por umha parte, as políticas homófobas e machistas da Nova Direita, em defessa dos "Valores Familiares". Por outra parte, o "gai" cristaliza como umha mera marca no mercado global, como umha forma de consumo sofisticada e cool. Queremos desvincular-nos da mercantilizaçom do "gai", do chamado dia do "orgulho", do euro rosa, dos desfiles comerciais sponsorizados por multinacionais, dos modelos neoliberais e classistas que nos tentam impór. Rechaçamos convocatórias como a do Europride em Madrid que, desde posturas acomodatícias e desideologizadas vendem-nos umha integraçom social ilusória em favor da nossa obediência e o nosso consumo. Reivindicamos umha diversidade de corpos e formas frente aos rígidos modelos publicitários, que encerram o desejo numha ditadura.
A heterossexualidade normativa, absolutamente onipresente em todo o social -educaçom, modelos, televisom, literatura, publicidade, etc- também está a provocar umha certa homonormatividade tolerada: aquela que simula os modelos de relaçom da hetero, o da parelha estável, monogámica, casada, consumidora e hipotecada. Plantejamos que hai outros modelos de vida, de afectos e prazeres.
As nossas sexualidades, sempre rechaçadas, anatemizadas, ridiculizadas, controladas, medicalizadas, ou "toleradas" som umha expressom de ingovernabilidade. E emergem com todas aquelas que sofrem estas ou outras formas de exclussom: mulheres, migrantes, precári@s, sem papéis, discriminadas por qualquer causa: façamos causa comum, a sua normalidade é bem aburrida: nom deixemos as nossas vidas nas suas mans.

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